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União Energia

União Energia na Mídia

Com queima de bagaço, usinas têm potencial para gerar energia equivalente à
futura produção da hidrelétrica Madeira

O Valor Econômico publicou no dia 25 de junho as reportagens "Bagaço de cana pode adicionar uma usina do Madeira ao setor", de Maurício Capela e Mônica Scaramuzzo, "Expansão acelerada provoca filas de espera de mais de um ano por caldeira", assinada só por Maurício, e "Comercializadoras rejeitam papel de assessoramento", escrita por Mônica. Os três textos tratam sobre a comercialização da energia que as usinas de álcool e açúcar geram a partir da queima do bagaço da cana. Tomando como base a previsão de que na safra 2007/08 serão moídos 500 milhões de toneladas de cana, os especialistas ouvidos pelo jornal calcularam que seria possível somar de 6 mil a 8 mil megawatts (MW) ao potencial de geração de energia já instalado no País. Isso significa que a contribuição das usinas poderia ser maior do que a da futura hidrelétrica do rio Madeira, projetada para ter 6,48 mil MW de potência.

Hoje, conta a primeira matéria, praticamente todas as 350 usinas existentes no Brasil são auto-suficientes em energia, mas só 10% delas vendem seus excedentes no mercado - algo em torno de 1,7 mil MW, dos quais 35% vêm da região de Ribeirão Preto (SP), o maior pólo sucroalcooleiro do País. No entanto, a percepção de que a energia pode ser mais um produto, ao lado do açúcar e do álcool, tem levado um número cada vez maior de usineiros a investir no aumento da capacidade de geração. Onório Kitayama, consultor de energia da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), contou ao Valor que esses investimentos começaram na década de 1990 e se intensificaram nos últimos quatro anos. Nesse período, os gastos totalizaram cerca de R$ 4 bilhões.

"Todos os novos projetos de usinas, que somam US$ 15 bilhões em quase 90 unidades até 2012, já contemplam investimentos em co-geração", disse ele ao jornal. Também entrevistado pelo Valor, Carlos Roberto Silvestrin, vice-presidente executivo da Associação Paulista de Cogeração de Energia (Cogen/SP), acrescentou a informação de que mais R$ 4 bilhões serão destinados ao aumento da atual capacidade instalada e a novos planos entre 2007 e 2011. "Com os novos projetos de usinas concluídos", afirma a primeira reportagem, "o potencial de geração de energia chegará a 11 mil MW, em uma projeção conservadora".

De acordo com Silvestrin, a principal dúvida levantada a respeito da co-geração de energia - o fato de que só há bagaço para ser queimado durante a safra da cana - não representa um problema. "O pico da produção de cana coincide com o período de seca das hidrelétricas. As usinas entregam um volume maior de energia durante a safra [maio a dezembro] e o sistema complementa durante a entressafra [janeiro a abril]", observou. Além disso, lembra o texto, uma das soluções encontradas pelos usineiros para poder vender mais energia é a estocagem do bagaço, uma prática que pode acabar com a questão da sazonalidade. Eles também estão optando por caldeiras maiores que produzem mais vapor com a mesma quantidade de bagaço.

O último trecho da matéria conta o caso da Crystalsev, empresa que negocia a produção de açúcar e álcool de nove usinas paulistas e já vende 130 MW de energia excedente. Segundo seu gerente de comercialização, Celso Zanatto, esse volume é capaz de abastecer uma cidade de 400 mil habitantes. Em janeiro, a Crystalsev passou a fazer negócio diretamente com os consumidores - com a unidade de Jacareí (SP) da Rhodia, por exemplo, tem um contrato de abastecimento de dois anos. Agora, a empresa planeja investir R$ 500 milhões nos próximos cinco anos para aumentar sua capacidade de geração de energia em 500 MW.

A segunda reportagem chama a atenção para o fato de que o crescente interesse pela co-geração de energia fez aumentar em pelo menos um ano o tempo que as usinas têm de esperar para comprar caldeiras e turbinas de alta pressão. "O prazo de entrega de novas turbinas saltou de dez meses, há um ano, para 12 a 16 meses para quem faz novas encomendas hoje", revelou ao Valor Júlio Bianchini, da TGM, de Sertãozinho (SP), uma das maiores produtoras de turbinas para co-geração do País.

Desde que começou a comercializar energia, a corretora já negociou cerca 15 milhões de megawatt/hora de energia, entre venda efetivada e futura, de acordo com o empresário.

A Dedini, de Piracicaba (SP), é outra empresa que vem trabalhando intensamente: vendeu 24 caldeiras de alta pressão em 2006 e tem mais 26 encomendadas para este ano. "A demanda por caldeiras cresce 50% ao ano desde 2000", disse ao jornal o vice-presidente da companhia, Sérgio Leme. Ele também contou que as usinas de médio e grande porte já estão usando caldeiras de 65 bars (medida de unidade de pressão), bem mais do que a média de 42 bars verificada no final da década de 1990. "Já produzimos equipamentos com potência acima de 90 bars", revelou.

Segundo Francisco de Lavor, presidente da União Corretora, "o comércio de energia começou a ficar interessante há pelo menos um ano". "As usinas não tinham se dado conta do potencial do mercado de energia por conta dos preços atraentes do açúcar e do álcool. Agora o cenário é outro", disse ele ao Valor. A União Corretora tem um braço chamado União Energia que se associou a bancos de investimentos para financiar o aumento da potência de geração das usinas que querem produzir energia excedente. De acordo com o jornal, há uma "parcela considerável" de pequenos e médios empreendimentos que têm interesse na co-geração, mas não possuem recursos para expandir sua capacidade.

A segunda reportagem também diz, contudo, que algumas usinas reclamam dos preços oferecidos nos leilões de energia e dos investimentos que precisam fazer nas linhas de transmissão. Na opinião de Lavor, a demanda existente no mercado de energia justifica os gastos. "O setor tem matéria-prima em abundância", afirmou. E tem mesmo. Segundo Onório Kitayama, da Unica, a antecipação do fim da queima da palha no Estado de São Paulo de 2021 para 2014, acertada entre as usinas e o governo estadual, pode significar um excedente de energia de até 2 mil MW.

Por fim, a terceira reportagem traz a visão das comercializadoras de energia. Em dezembro do ano passado, a resolução 247/06 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou essas empresas a negociar os excedentes das usinas diretamente com o cliente final - antes, só as distribuidoras tinham permissão para fazer esse tipo de negociação. "Falta apenas a regulamentação das regras por parte da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que poderá sair ainda em 2007, para que as comercializadoras possam incluir o MW do bagaço de cana no seu portfólio", destaca o texto. O mercado para elas inclui 600 grandes consumidores, que respondem por 25% do gasto de energia no Brasil.

"Atualmente, a comercializadora auxilia a usina no contrato de negociação do seu excedente de energia com o consumidor final", explicou ao Valor Mateus Andrade, superintendente da empresa Delta. "Mas quando pudermos contabilizar esses megawatts de biomassa à nossa comercialização de energia, teremos condições de mitigar a sazonalidade desse tipo de matriz e de ampliar o mercado para o bagaço", completou. Por enquanto, apenas uma pequena parcela dos 400 MW que a Delta negocia em média por mês é proveniente de fontes alternativas; porém, segundo Andrade, daqui a dois anos o bagaço de cana e as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) contribuirão com pelo menos 100 MW médios.

De acordo com a reportagem, o valor de um megawatt/hora (MWh) gerado a partir da queima do bagaço da cana deverá ser muito próximo ao do MWh proveniente da PCH. "A PCH terá seu MWh por volta de R$ 135, enquanto a biomassa girará perto dos R$ 140", afirmou ao jornal Paulo Toledo, da comercializadora Ecom. Dos 300 MW médios que a empresa comercializa por mês atualmente, 10% referem-se a contratos de assessoramento feitos com as usinas. Outra empresa que já está sentindo a repercussão desse tipo de contrato em seus negócios é Comerc. Hoje, as fontes alternativas representam 8% dos 800 MW médios que a companhia gerencia mensalmente, porém ela quer elevar essa participação para 15%. (R.B.)

Fonte: Valor Econômico | Data: 25/06/2007

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