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Segundo Francisco de Lavor, presidente da União Corretora, as usinas sucroalcooeleiras têm potencial para co-geração
A União Corretora, de São Paulo, está diversificando seus negócios. Depois de entrar no mercado de energia em 2001, agora está se associando a uma destilaria de álcool em Goiás e também passará a produzir biodiesel no mesmo Estado. Em 2008, investirá em uma PCH (Pequena Central Hidrelétrica) no Mato Grosso.
Os investimentos em álcool e em biodiesel refletem a estratégia da corretora de verticalizar seus negócios. Francisco de Lavor, presidente da corretora, será sócio minoritário da destilaria Alda, em Vila Boa (GO), unidade que entrou em operação no último dia 29 de agosto. Essa destilaria pertence ao usineiro Alberto Cury e foi reativada este ano. A expectativa é de que a usina processe em seu projeto final cerca de 1,5 milhão de toneladas de cana por ano. Neste safra, a 2007/08, a usina deverá moer cerca de 400 mil toneladas.
Outro segmento que deverá ser explorado pela União é o de biodiesel. O empresário planeja inaugurar em 60 dias sua primeira planta de biodiesel em Formosa, também em Goiás. Essa unidade deverá produzir 35 mil metros cúbicos de biodiesel a partir de óleo de soja e também de gordura animal, segundo Lavor, que terá o controle total da empresa. Lavor também deverá investir em várias pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). A primeira deverá entrar em operação em Riacho Queimado (MT). "Meu projeto ter quatro empresas dessas."
Tradicional corretora de açúcar, álcool e grãos de São Paulo há 24 anos, a União Corretora criou um braço para negociar energia em 2001, a União Energia. Hoje essa divisão de negócios representa cerca de 75% do faturamento da corretora. Lavor vê no bagaço da cana forte potencial para suprir a demanda por energia no país.
De olho neste filão, a União Energia organizou ontem (dia 30) uma reunião entre usinas sucroalcooleiras com a Tractebel, que está interessada em negociar energia a partir da biomassa. "Há um potencial a ser explorado pelas usinas sucroalcooeleiras nesta área", disse Lavor.
Desde que começou a comercializar energia, a corretora já negociou cerca 15 milhões de megawatt/hora de energia, entre venda efetivada e futura, de acordo com o empresário.
A co-geração de energia a partir da biomassa começou a ganhar destaque no cenário nacional nos últimos anos, quando as usinas começaram a perceber que sua produção excedente de energia tem boa demanda por parte das concessionárias de energia do país. No entanto, os investimentos nesse segmento não crescem no mesmo ritmo que os novos projetos de novas usinas de álcool do país. Muitos empresários reclamam que o preço pago pela energia nos leilões do governo não compensam os investimentos feitos na co-geração. As usinas também reclamam que são obrigadas a fazer em linhas de transmissão da energia que comercializa. Todos os novos projetos de usinas já contemplam investimentos em co-geração.
As usinas de açúcar e álcool do país têm um potencial de produzir entre 6 mil MW e 8 mil MW de geração de energia no país, mas comercializa cerca de 1,7 MW no mercado. Se considerar a inclusão da palha, esse potencial pode dobrar, de acordo com levantamento da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). Só para se ter uma idéia do potencial das usinas sucroalcooleiras, a geração de energia potencial produzidos por ela é equivalente à hidrelétrica do rio Madeira, cujo projeto prevê potência instalada de 6,48 mil MW.
O Valor apurou que a direção da Unica deverá se reunir hoje, pela manhã, com o presidente Lula. Entre os assuntos estão o álcool e também a co-geração a partir do bagaço de cana.
Fonte: Valor Econômico | Data: 31/08/2007
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